29
de
abril
Os Mitos da Fidelidade-1/3
Nos nossos próximos itens, vou apresentar uma série de artigos escritos por Fernando Pierry e John Gaffney sobre “Fidelidade dos Clientes”.
No primeiro assunto, “Caçando os Mitos da Fidelidade” eles apresentam que a idéia de tornar os clientes mais fiéis tem assombrado os profissionais de marketing há muito tempo. Em torno do assunto foram criados diversos mitos, nos quais muitas empresas ainda acreditam.
No segundo encontro, eles trazem o assunto “De volta aos Mitos da Fidelidade” respondendo a algumas perguntas como: O que é um cliente fiel? Os programas de fidelidade realmente fidelizam clientes?
Depois eles vão falar sobre mais dois conceitos muito difundidos no mercado: programas de fidelidade são programas de pontos ou de “milhagem” e uma só iniciativa para todos os clientes promove fidelidade no artigo “Desconstruindo os mitos da Fidelidade”
E finalizando, Pierry e Gaffney no artigo “Adeus aos mitos da fidelidade” mostram porque programas de fidelidade não devem ser feitos apenas para aumentar a satisfação dos clientes.
CAÇANDO OS MITOS DA FIDELIDADE
Por Fernando Pierry, sócio do Peppers & Rogers Group Latin America and Iberia e John Gaffney, editor-executivo da 1to1Magazine.
Não pretendo concorrer com os “caçadores de mitos” da televisão. E imagino que eles também não estariam muito dispostos a fazer seus divertidos testes com um assunto tão perigoso como fidelidade de clientes. O tema fidelidade é com certeza bem mais perigoso que usar celular no posto de gasolina ou correr (ou seria melhor andar?) debaixo de chuva.
Mas a idéia de tornar os clientes mais fiéis (ou “fidelizar”, esse verbo que nem existe) tem assombrado os profissionais de marketing há muito tempo. Em torno do assunto foram criados diversos mitos. Como esse é o nosso dia-a-dia, nos vemos obrigados a detoná-los para separar o que é sério e fundamentado em resultados do que é “lenda urbana”, ou melhor, “lenda marketeira” nas quais, infelizmente, muitas empresas ainda acreditam.
Os principais mitos que observamos sobre esse assunto são:
Um cliente fiel é um cliente de valor - nem sempre! Um cliente pode ser fiel (compra repetidamente), mas deficitário, de alto custo de manutenção e – pior – pode até falar mal de sua empresa.
• Programas de fidelidade "fidelizam" clientes - algumas pessoas entram nos programas de fidelidade apenas para conseguir mais descontos ou vantagens e não por preferir a empresa.
• Programas de fidelidade são programas de pontos ou de "milhagem" - um programa de pontos é um dos componentes de uma estratégia de fidelidade. A receita tem vários ingredientes, como experiência do cliente, serviços exclusivos e comunicação personalizada.
• Uma só iniciativa para todos os clientes promove fidelidade - os resultados de uma iniciativa de fidelidade são muito melhores com estratégias baseadas nas necessidades dos participantes.
• Programas de fidelidade são feitos para aumentar a satisfação dos clientes – é importante atender às expectativas dos clientes. Porém, o objetivo de um programa deve ser o aumento de valor da base de participantes.
• Programas de fidelidade aumentam o valor dos clientes - o fato de o cliente aderir ao programa de fidelidade não quer dizer que ele gastará mais em compras. Poucas empresas consideram o valor atual e futuro dos clientes ao desenhar seus programas.
Nenhum programa funciona bem por si mesmo. Os resultados dependem da relação "programa x cliente". Somente quando os consumidores entendem as regras, se engajam e alteram seu comportamento de compra, indicação e interação com a empresa é que aparecem os resultados: clientes mais rentáveis e mais fiéis à marca.
A melhor maneira de conseguir o máximo retorno sobre o programa de fidelidade e sobre a base de clientes é definir claramente seu objetivo, desenhar o programa para reforçar certos comportamentos dos clientes e monitorar de perto os resultados para melhorar continuamente o programa. O resto é mito. Ou será que você ainda acredita na loira do banheiro?
DE VOLTA AOS MITOS DA FIDELIDADE
Por Fernando Pierry, sócio do Peppers & Rogers Group Latin America and Iberia e John Gaffney, editor-executivo da 1to1Magazine
Na edição da semana passada, citamos os “mitos da fidelidade” – conceitos que muitas vezes causam confusão e desvios de rota no planejamento e na gestão de programas de fidelidade. Como prometemos, vamos falar um pouco mais sobre eles. Comecemos pelos dois primeiros:
1.Um cliente fiel é um cliente de valor
O cliente fiel de uma empresa é aquele que compra produtos ou serviços dessa empresa repetidamente. O problema todo está em se acreditar que por ser fiel esse é um cliente de alto valor.
Muitos clientes podem comprar um produto repetidamente e ainda assim ser deficitários, ou seja, seu custo de atendimento ser maior que o valor por eles gerado. Um exemplo disso são aqueles clientes que compram exclusivamente nas promoções e sempre os produtos de menor margem. E pior, esses clientes podem não estar contentes com a empresa ou mesmo com a experiência de compra – e acabar falando mal dela para outras pessoas
É importante perceber que apenas a freqüência de compra não determina a rentabilidade de um cliente. Uma grande empresa de serviços, por exemplo, ao analisar a rentabilidade de seus maiores e mais fiéis clientes verificou que seu maior cliente era deficitário, devido às exigências que fazia, incluindo, claro, grandes descontos. Assim, teve que optar entre manter o market share e arcar com altos custos de manutenção desse cliente ou focar nos clientes mais rentáveis e perder aquele cliente para a concorrência. Optou pela segunda alternativa.
Para um fabricante de materiais esportivos um cliente de alto valor é aquele que compra direto da fábrica, por meio das lojas próprias da empresa ou pelo Web site, uma vez que por esses canais a empresa não divide sua margem com distribuidores e revendas. Já um cliente fiel poderia ser aquele que compra produtos freqüentemente, por qualquer canal, e diz aos amigos para consumirem os produtos da empresa. Feita essa distinção, a companhia poderia focar seus esforços nos clientes que, além de fiéis, são de valor.
Ao considerar suas opções para um programa de fidelidade, sempre pense em valor do cliente e freqüência de compra como duas variáveis independentes.
2. Programas de fidelidade ‘fidelizam’ clientes
Algumas pessoas entram nos programas de fidelidade apenas para conseguir mais descontos ou vantagens e não por realmente preferir a empresa. Muitas companhias, no entanto, acreditam que criando um programa fidelidade estão garantindo a fidelidade dos clientes – o que é um engano.
Uma pesquisa realizada pelo Carlson Marketing Group em 2005 revelou que há muitas razões para aderir ou não a um programa de fidelidade. No Reino Unido, por exemplo, 52% dos pesquisados disseram que não aderem a certos programas por não comprarem com freqüência no estabelecimento. Outros 39% disseram, ainda, que os programas não oferecem prêmios adequados.
Entre os motivos de adesão, o item “pontos e descontos” teve sua participação reduzida em 20% na comparação com a pesquisa de 2003, enquanto que “ofertas especiais” subiu 200%, mostrando que fatores como serviços estão ganhando espaço e que o grande diferencial é a personalização e, portanto, a relevância dessas ofertas. O que importa mesmo é quanto elas são “especiais” para o cliente.
O estudo revelou a importância que os clientes dão aos benefícios. Serviços como entrega gratuita, informações exclusivas sobre produtos e conteúdo educacional são cada vez mais valorizados.
“Quando uma empresa conduz seus clientes para as ofertas corretas, cria-se uma interação que possibilita à companhia checar o valor do cliente e, assim, desenvolver uma relação real de fidelidade”, diz Andy Wright, vice-presidente do Calson Marketing Group. “Se as empresas conseguirem usar os dados coletados pelos programas de fidelidade para encontrar as necessidades dos clientes, o relacionamento mais verdadeiro poderá ser construído”.
Na próxima etapa tentaremos converter aqueles que crêem que “programas de fidelidade são programas de pontos ou de milhagem” ou que “uma só iniciativa para todos os clientes promove fidelidade”.
Sidney Lino: sidneylino.oliveira@gmail.com

